Culto Ecumênico reúne Católicos e Luteranos em celebração especial




IMG_4571 (Copy)As igrejas Católica (Comunidade Nossa Senhora Aparecida) e Luterana no Brasil – Comunidade da Paz estiveram reunidas na noite de sábado 19 em Culto Ecumênico celebrado no Pavilhão de eventos da Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida com o Tema: “A mão de Deus está no meio de nós. Ele o enviado do Pai, nos une e liberta”.

No momento da homilia a Pastora Patrícia a Igreja Luterana iniciou salientando a graça de Católicos e Luteranos estarem celebrando a semana de Oração pela Unidade Cristã de 2018. Unidade essa que de acordo com a Pastora iniciou no ano de 1968 e anualmente celebram o Culto com o objetivo de fortalecimento da “Semana de Oração”

IMG_4585 (Copy)“Que bom que somos igrejas irmãs que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC e podemos aqui celebrar esse momento especial orando pelos nossos irmãos que já sofreram tanto com a opressão”, salientou a religiosa dizendo que no processo de reflexão de preparação do material as igrejas assumiram que tanto no Caribe como na América Latina, a bíblia foi instrumentalizada pelo colonialismo que subjugou as populações originárias dessas regiões para justificar a escravidão.

Observando o cartaz da celebração a Pastora destacou que as pessoas em barcos simbolizam, sobretudo nesses tempos de crise migratória, pessoas refugiadas que vivem cada vez mais à deriva dos poderes constituídos. Em muitos casos, sem políticas sociais que possam devolver a elas a dignidade roubada, essas pessoas são submetidas a situações de trabalho análogas à escravidão ou, então, comercializadas como escravas.

IMG_4599 (Copy)Leia o restante da homilia da Pastora na integra: A arte alude, por um lado, que muitas dessas pessoas refugiadas contam com a “mão” de Deus que, de uma forma ou de outra, os ampara. “É também a mão de Deus, presente em águas revoltas, que nos movimenta a agirmos em favor de uma humanidade que não se conforma com a violação dos direitos humanos e da dignidade de irmãos e irmãs de diferentes culturas e etnias. “O barco, símbolo do movimento ecumênico, também remete à comunidade cristã, que tem como desafio navegar, ecumenicamente, rumo à unidade. Entretanto, essa unidade almejada apenas será concreta se todas as pessoas tiverem acesso à justiça, o direito de viver em seus territórios de origem e o direito de viver sua cultura e espiritualidade”.

Hoje os cristãos caribenhos de diferentes tradições veem a mão de Deus  agindo para terminar com a escravidão. É uma experiência de união em torno da ação salvadora de Deus que leva à liberdade. Por essa razão, a escolha do canto de Moisés e Miriam (ex. 15.1-21) como motivação em 2018. É um canto de triunfo sobre a opressão. O trecho escolhido, a “Canção do Mar”, conduzida por Moisés e Miriam, expõe detalhes dos eventos que levara à libertação do povo de Deus da escravidão. Ele encerra o primeiro período.

Os versículos 1-3 do capitulo 15 enfatizam o louvor a Deus: “Minha força e meu canto é o Senhor. Para mim ele foi salvação. É ele o meu Deus, eu o louvarei, o Deus de meu pai, eu o exaltarei.” (15.2), no canto, conduzido por Moisés e Miriam, os israelitas cantam os louvores de Deus, que os tinha libertado. Nesse alegre grito de louvor, cristãos de muitas tradições diferentes reconhecem que Deus é o salvador de todos nós; nos regozijamos porque ele tem cumprido suas promessas e continua a nos trazer salvação através do Espírito Santo. Na salvação que ele traz, reconhecemos que ele é nosso Deus e nós somos o seu povo.

A libertação e a salvação do povo de Deus vêm através do poder de Deus. A mão direita de Deus pode ser compreendida como a segura vitória de Deus sobre seus adversários e também como sua infalível proteção a seu próprio povo. Apesar das ordens do Faraó, Deus escutou o clamor de seu povo e não deixará seu povo perecer porque Deus é o Deus da vida. Com seu domínio sobre o vento e o mar, Deus mostra seu desejo de preservar a vida e destruir a violência. O objetivo dessa redenção era fazer dos israelitas um povo de louvor, que reconhece o amor perseverante de Deus. A libertação trouxe esperança e uma promessa para o povo. Foi esperança porque um novo dia havia despontado, em que o povo podia livremente adorar seu Deus e por em ação seu potencial. Era também uma promessa :Seu Deus os acompanharia por toda a caminhada e nenhuma força poderia derrotar o objetivo que Deus tinha em relação a eles

IMG_4597 (Copy)O tema da Semana de oração pela Unidade nos desafia e desacomoda. Ele tira o véu das realidades escondidas, inviabilizadas e que nos incomodam. A fé em Jesus Cristo e seu Reino abre os nossos olhos para o sofrimento dos irmãos e irmãs provocando-os a sair da indiferença. A nossa fé desacomoda, pois exige que não compactuemos com projetos colonialistas que querem continuar exercendo o poder e definindo que algumas pessoas serão sacrificadas para que outras vivam em abundância. Participar do Reino de Deus é estar aberto para que a mão de deus nos uma em favor da libertação de projetos sociais, econômicos, políticos, religiosos que degradam a dignidade humana.

IMG_4618 (Copy)