Sexta-Feira Santa: Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo




IMG_3619 (Copy)Um rito de entrada diferente dos outros dias do ano litúrgico: em paramentos na cor vermelha, lembrando o sangue, não se ouve o canto de entrada; apenas o salmo, em vez disso, toda a assembleia mergulha num silêncio solene, que dura alguns minutos, até que o presidente da celebração se reerga e recite a oração do dia. Como em toda a Igreja, no ocidente, assim também, às 17h, desta Sexta-Feira Santa, 30 de março, teve início a liturgia da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida em Espigão do Oeste.

Presidido pelo Pároco Frei Paul, o memorial da Paixão e Morte do Senhor foi concelebrado pelo vigário Frei Leopoldo Cipriano, em torno dos quais se reuniram ministros da palavra e eucaristia e centenas de fiéis que contemplaram, no Evangelho do discípulo que Jesus amava, o mistério do Crucificado que amou até o fim.

IMG_3620 (Copy)“Estamos num segundo momento do nosso Tríduo Pascal. Iniciamos com a celebração da Missa da Ceia do Senhor, com a instituição da Eucaristia e o Lava-pés, e concluiremos amanhã com a grande Vigília Pascal quando teremos a bênção do fogo novo, o Círio Pascal, a renovação das promessas do batismo e a Eucaristia. Três momentos que a Igreja vai sempre anunciar… Esse grande mistério pascal: vida, morte e ressurreição de Jesus, que celebramos e recordamos a cada Missa. Hoje, a Igreja mergulha na oração, no silêncio, na reflexão e contemplação desse mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo. E nesta celebração contemplativa, em que entramos e saímos em silêncio, temos a oportunidade de ouvir a narração da Paixão e ver a morte de Cristo na Cruz, tendo a certeza que Ele vence a morte e o pecado para salvar toda a humanidade”, afirmou Frei Paul.

A celebração deste dia compõe-se de quatro momentos: Liturgia da Palavra e a Oração Universal, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística. Como em todos os anos, a Liturgia da Palavra, desde a Primeira Leitura, procura aproximar os fiéis da alma sofredora do Cristo, prefigurada na profecia de Isaías (Is. 52, 13; 53), escrita há cerca de 8 séculos a.C e considerada de um realismo tal, que o texto é chamado por muitos “o 5º evangelho”.

IMG_3637 (Copy)Após a Proclamação da Paixão, os fiéis acompanharam a encenação de transladação do corpo de Jesus ao sepulcro. Momentos de aflição em que muitas pessoas não conteram as lágrimas. Em seguida, o Frei Cipriano dirigiu-se aos presentes e convidou-os a refletirem sobre a leitura do livro do profeta Isaías (Is 52,13-53,12), que narra à profecia do Servo Sofredor, onde “muitos ficaram pasmados ao vê-lo — tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano. (…) Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele”.

IMG_3660 (Copy)“A liturgia de hoje fala por si mesma. Vivenciamos e experimentamos essa caminhada que expõe para todos nós este grande mistério. Isaías, por inspiração divina, fala daquilo que aconteceu com Jesus Cristo. Tudo aquilo que Ele passou, todo seu sofrimento que o desfigurou de tanto que apanhou, sendo ferido, morto, mesmo sendo inocente, pagando pelos nossos pecados, assumindo as nossas dores, chama a cada um de cada um de nós para olharmos todo este sofrimento de Jesus. Cristo visibiliza os pecados da humanidade de todas as épocas, os nossos, os meus pecados. E quando uma sociedade costuma pintar os pecados como uma maneira bonita de se viver a vida, vemos a desfiguração do ser humano, a ausência de sua beleza, e, por isso, Jesus assume os nossos pecados… Para nos salvar, para arrancar-nos da morte e do pecado, para fazer de nós um povo novo, renovado, transfigurado”, disse o vigário Frei Leopoldo Cipriano.

Frei Cipriano também ressaltou que com a morte de Jesus Cristo na Cruz toda a humanidade tem a oportunidade de ser lavada com seu sangue e transformada, se verdadeiramente o reconhecerem como o Senhor e salvador de suas vidas.

Terminada a homilia, o pároco conduziu a Oração Universal, em que a Igreja, repetindo o gesto de Jesus, intercede por toda a humanidade, para que a redenção operada por Cristo alcance todas as pessoas, em todas as circunstâncias e em todos os tempos.

Neste dia em que não há apresentação nem consagração das oferendas ao Pai, os fiéis comungaram do Corpo e do Sangue de Jesus nas hóstias que foram consagradas na noite da Quinta-Feira Santa, durante a Missa da Ceia do Senhor.

Na sequência, Frei Paul iniciou o rito de Apresentação e Adoração da Cruz, sendo o primeiro a beijá-la, seguido pelos demais ministros e todo o povo de Deus.